Quem dirige na Grande Florianópolis conhece a cena. O dia começa com sol e, no fim da tarde, cai um temporal que transforma a Via Expressa em um espelho d’água.
Nessa hora, a diferença entre passar tranquilo e sentir o volante leve está no pneu na chuva, mais precisamente na profundidade dos sulcos. Vamos falar sobre como ler o TWI do pneu, por que o limite legal não é margem de segurança e por que a aquaplanagem aparece mais na primavera.
O que é o TWI do pneu e onde encontrar
A sigla TWI vem do inglês Tread Wear Indicator, que significa indicador de desgaste da banda de rodagem. São pequenas saliências de borracha no fundo dos sulcos principais, com 1,6 mm de altura.
Para achar o TWI do pneu, o ponto de partida é a lateral. Ali aparece a sigla TWI, um triângulo pequeno ou o logotipo do fabricante, sempre alinhado com um dos indicadores. Seguindo essa marca em direção à banda, dá para ver a saliência atravessando o sulco.
Cada pneu tem em torno de seis desses indicadores espalhados pela circunferência. Quando a borracha da banda fica no mesmo nível deles, o pneu chegou em 1,6 mm. A partir daí, rodar com ele é infração grave pelo artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro. A multa é de R$ 195,23, com cinco pontos na CNH e retenção do veículo até a troca.
A norma que fixa esse limite é a Resolução Contran 913/2022. E, na fiscalização, o agente olha justamente o TWI.
Como ler o TWI em três olhadas
A primeira olhada é no centro da banda. Se o centro já encosta no TWI e as bordas ainda têm borracha, o pneu rodou com pressão acima da recomendada por um bom tempo. Depois, as bordas. Desgaste nas duas indica pressão baixa, e desgaste de um lado só aponta para desalinhamento.
Por último, olhe a volta inteira do pneu, com o volante esterçado, para enxergar a parte de dentro. Como o desgaste raramente é igual, o que vale é o ponto mais gasto.
Um medidor de profundidade de sulco custa pouco, mostra a medida exata em milímetros e cabe no porta-luvas.
Repetir a leitura a cada 15 dias e antes de qualquer viagem já é um ótimo hábito. Pneu na chuva com desgaste irregular perde aderência antes mesmo de chegar no limite legal.
Se ficou a dúvida sobre qual modelo escolher na próxima troca, o nosso guia de pneus para o clima catarinense compara as opções.
1,6 mm é o limite da lei, não da segurança
O limite legal marca o fim da vida útil do pneu. Não é o ponto em que ele ainda trabalha bem na água.
Os sulcos existem para tirar a água que fica entre a borracha e o asfalto. Quanto mais raso o sulco, menos água sai por segundo. Os fabricantes costumam recomendar a troca quando a profundidade se aproxima de 3 mm.
Na prática, um pneu com 1,6 mm precisa de muito mais espaço para frear no molhado do que um pneu novo. Em rodovia, isso pode significar vários metros. É aí que aparece a aquaplanagem.
Sem ter por onde sair, a água forma uma película que levanta o pneu do asfalto. O carro passa a deslizar, sem resposta do volante nem do freio, e basta uma poça funda em uma curva da BR-101 para ele sair da trajetória.
Quem roda muito com pneu na chuva deveria tratar os 3 mm como o momento de planejar a troca. Os 1,6 mm ficam como limite da lei, e não como meta.
Por que a aquaplanagem aumenta na primavera
A primavera começou em 22 de setembro e mudou o jeito de chover em Santa Catarina. No lugar da garoa fria do inverno, entram as pancadas fortes no fim de tarde, que o Instituto Nacional de Meteorologia costuma sinalizar como alerta de tempestade.
Chuva intensa em pouco tempo forma uma lâmina d’água mais alta, porque a drenagem não dá conta. É nessas poças que o carro aquaplana.
As primeiras chuvas depois de dias secos pioram tudo. Óleo, poeira e restos de borracha acumulados no asfalto viram uma mistura escorregadia nos primeiros minutos.
E tem o próprio pneu. Muita gente passou o inverno sem olhar o desgaste e entra na primavera com sulcos mais rasos do que imagina.
Chuva forte, pista suja e pneu cansado: a estação junta as três coisas.
O freio também sofre quando o carro escorrega, e explicamos esse desgaste no texto sobre carro derrapando na chuva.
O carro aquaplanou. E agora?
A reação instintiva é frear forte, o que, justamente, é o que piora a situação. Com o pneu sem contato com o asfalto, a frenagem brusca pode travar as rodas e fazer o carro rodar. O certo é aliviar o acelerador devagar e segurar o volante firmemente, apontado para onde você quer ir. O carro perde velocidade sozinho até o pneu voltar a tocar o chão.
Quando a direção firmar de novo, aí sim dá para frear com suavidade. Em carros com ABS, a pressão contínua no pedal resolve.
Prevenir continua sendo melhor: velocidade menor na pista molhada e mais distância do carro da frente. Seguir o rastro dos pneus de quem vai adiante ajuda, porque ali a lâmina d’água é menor.
A calibragem certa pesa mais do que parece, já que o pneu murcho deforma e escoa pior a água. E o pneu desalinhado gasta de forma irregular e aquaplana antes.
O controle de estabilidade ajuda, mas não faz milagre. Nenhuma eletrônica compensa a falta de borracha.
Troca de pneus antes do verão na Casa Grande
Se o TWI do pneu já está perto do limite, a primavera é a hora de resolver. Nossa loja no Estreito trabalha com pneus certificados pelo Inmetro, com montagem e balanceamento no mesmo atendimento.
Na troca de pneus, a equipe mede os sulcos, confere a data de fabricação e verifica se o desgaste aponta algum problema de alinhamento. Quando é o caso, a geometria 3D corrige a causa para o pneu novo durar mais.
Também fazemos uma avaliação sem compromisso para quem só quer saber quanto de vida o pneu ainda tem. Muitas vezes ele roda bem por mais alguns meses, e sair daqui com essa certeza já tira um peso.
Atendemos de segunda a sexta-feira, das 7h45 às 18h, e no sábado até o meio-dia. Em dias de chuva, a procura sobe bastante. Agendar pelo WhatsApp evita a espera.
O próximo temporal vai chegar. Que ele encontre o seu carro com pneus bons, calibrados e longe da aquaplanagem.