Fevereiro marca o retorno das aulas e, com ele, o retorno do trânsito intenso nas cidades. As filas duplas na porta das escolas e os engarrafamentos nos horários de pico são inevitáveis. Para o motorista, é um teste de paciência; para o carro, é um teste de resistência extrema.
O regime de “anda e para” (start-stop) é o que chamamos tecnicamente de uso severo. Nesse cenário, dois componentes sofrem mais do que quaisquer outros: a embreagem e os freios.
Eles trabalham dobrado, aquecem muito e se desgastam em velocidade recorde. Muitos motoristas têm vícios de direção que, sem saber, destroem essas peças em poucos meses. O custo para trocar um kit de embreagem ou discos de freio pode pesar no orçamento familiar.
A fabricante de sistemas de transmissão Schaeffler (LuK) aponta que o mau uso é a causa principal de quebras prematuras de embreagem.
A boa notícia é que, mudando pequenos hábitos, você economiza muito dinheiro. A durabilidade dessas peças depende 90% da forma como você dirige.
Neste artigo, vamos listar as melhores práticas para enfrentar o trânsito urbano poupando sua máquina. Confira!
O vício do “pé no descanso” (embreagem)
Este é o erro número um dos motoristas brasileiros. Ficar com o pé apoiado levemente no pedal da embreagem enquanto dirige parece inofensivo. Muitos fazem isso para estarem “prontos” para trocar de marcha.
Porém, esse peso leve do pé já é suficiente para afastar o disco do platô milimetricamente, o que causa um lixamento constante entre as peças, gerando calor excessivo.
O resultado é o desgaste prematuro do material de atrito (lona) da embreagem.
Além disso, essa prática força o rolamento de embreagem, que fica girando sem necessidade.
O lugar do pé esquerdo, quando não está trocando marcha, é no assoalho ou no descanso de pé lateral.
Acostume-se a tirar o pé do pedal imediatamente após a troca de marcha. Seu bolso agradecerá na próxima revisão.
E se sentir o pedal duro ou patinando, agende uma avaliação de câmbio e embreagem.
Segurar o carro na embreagem na subida
Outra prática comum e destrutiva em filas de escola ou semáforos inclinados. Em vez de usar o freio de mão ou o freio de pé, o motorista equilibra o carro acelerando e soltando a embreagem.
O carro fica parado, mas o motor está fazendo força contra a embreagem para ele não descer. Isso, por sua vez, frita o disco de embreagem em questão de segundos devido ao atrito extremo.
O cheiro de “queimado” característico é o sinal de que você está reduzindo a vida da peça.
Sempre use o freio de mão para segurar o carro em ladeiras. Só solte o freio de mão quando o carro já estiver tracionando para sair. Essa técnica simples poupa o material de atrito e evita o superaquecimento do sistema.
Freios: a febre do trânsito urbano
No trânsito pesado, você acelera e freia centenas de vezes em um curto trajeto. Os freios funcionam convertendo a energia do movimento em calor através do atrito. Se você não dá tempo para o disco esfriar, o sistema entra em fadiga.
Para poupar os freios, aumente a distância do carro da frente, assim você pode usar o “freio motor” (apenas tirar o pé do acelerador) para reduzir a velocidade.
Menos pisadas no freio significam pastilhas durando o dobro do tempo. Evite freadas bruscas de última hora; antecipe o movimento do trânsito. Se o trânsito parou lá na frente, comece a desacelerar suavemente agora.
Verifique sempre a espessura das pastilhas em nossa manutenção de freios.
Ponto-morto no semáforo: mito ou verdade?
Quando parar no sinal vermelho, coloque o câmbio em ponto-morto e tire o pé da embreagem. Ficar com a primeira marcha engatada e o pé no fundo da embreagem desgasta o sistema.
Nessa situação, o rolamento e o diafragma do platô estão sob pressão máxima desnecessariamente.
Além de cansar sua perna, você está forçando as molas do platô. Coloque em neutro, relaxe a perna e espere o sinal abrir.
- Para carros automáticos, a recomendação varia, mas geralmente mantém-se em “D” (Drive).
Consulte sempre o manual do proprietário do seu veículo específico. A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) recomenda o ponto-morto em manuais para aliviar a carga mecânica.
Fluido de freio: o esquecido
O fluido de freio absorve umidade do ar com o tempo, baixando seu ponto de ebulição. No “anda e para”, os freios esquentam muito.
Se o fluido estiver velho (com água), ele ferve dentro da pinça e você perde o freio. O pedal fica mole, e o carro não para.
A troca do fluido deve ser feita a cada dois anos ou 20 mil km rodados, o que vier primeiro. Não economize nisso; é a sua segurança e a dos seus passageiros.
Verifique a cor do fluido: se estiver escuro, está na hora de trocar.
Confira nossos pacotes de troca de fluidos na página de revisão preventiva.
Dirija com suavidade
A volta às aulas traz rotina e trânsito, mas não precisa trazer prejuízo. Dirigir de forma suave e técnica é a chave para a longevidade do carro. Trate os pedais com gentileza e evite brigas desnecessárias por espaço.
Seu carro é uma máquina complexa que responde bem ao bom tratamento. Se você notar qualquer ruído estranho ao trocar de marcha ou frear, não ignore. O barulho de hoje é a quebra de amanhã.