A troca de óleo é o procedimento de manutenção mais conhecido e realizado no mundo, mas, paradoxalmente, é um dos que geram mais dúvidas e mitos.
O óleo é o “sangue” do motor. Sua função vai muito além de apenas lubrificar: ele limpa, refrigera, veda e protege contra corrosão. Rodar com o óleo vencido transforma esse fluido vital em uma borra espessa, semelhante a piche, que entope as veias do motor.
O resultado da negligência é o motor fundido, um prejuízo que pode facilmente ultrapassar 30% do valor do veículo.
Mas, afinal, quando trocar o óleo? Aos 5 mil km? Aos 10 mil km? E se o carro ficar parado na garagem, o óleo vence? Muitas informações de “boca a boca” ou de frentistas de posto contradizem o manual do fabricante.
A Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil) enfatiza que seguir rigorosamente a especificação técnica é a única forma de garantir a durabilidade prevista no projeto do motor.
O dilema: quilometragem X tempo
A regra básica que todo motorista conhece é a quilometragem. Porém, o fator “tempo” é frequentemente ignorado.
O óleo lubrificante é um composto químico complexo. Assim que ele entra em contato com o oxigênio e os metais do motor, inicia-se um processo de oxidação.
Mesmo com o carro parado na garagem, o óleo está envelhecendo. Ele perde suas propriedades de detergência e de proteção.
Por isso, a regra de ouro das montadoras é: troque pela quilometragem OU pelo tempo, o que ocorrer primeiro.
Para óleos minerais (mais antigos), o prazo costuma ser 5 mil km ou 6 meses. Para óleos sintéticos (modernos), o padrão é 10 mil km ou 12 meses.
Se você roda apenas 2 mil km em um ano, você deve trocar o óleo ao completar 12 meses. O óleo velho dentro do cárter torna-se ácido e começa a corroer as bronzinas e retentores.
Para agendar sua troca com o produto correto, visite nossa página de troca de óleo e filtros.
O que é “uso severo”? (você provavelmente se encaixa aqui)
Aqui reside a maior pegadinha da manutenção automotiva. O manual do seu carro possivelmente indica um prazo para “uso normal” e outro (metade do tempo) para “uso severo”.
A maioria dos motoristas acredita que “uso severo” é rali, estrada de terra ou carregar muito peso. Isso é um equívoco. Para a engenharia automotiva, uso severo é o trânsito urbano.
Andar em engarrafamentos e em trajetos curtos (menos de 5 km), onde o motor não esquenta totalmente, e o “anda e para” constante são as piores condições para o óleo.
Nessas situações, o óleo contamina-se mais rapidamente com combustível não queimado e umidade. Portanto, se você usa o carro todo dia para ir ao trabalho no trânsito da cidade, deve seguir o prazo de troca de uso severo (geralmente antecipar a troca).
Óleo mineral, semissintético ou sintético?
Nunca escolha o óleo pelo preço ou pela “dica” do vizinho. O motor foi projetado com folgas milimétricas calculadas para uma viscosidade específica.
- Óleo mineral: obtido diretamente do petróleo. Tem menor durabilidade e gera mais borra. É comum em carros antigos.
- Óleo semissintético: é uma mistura melhor que o mineral, porém inferior ao sintético.
- Óleo sintético: é criado em laboratório com moléculas uniformes, com altíssima resistência ao calor e à oxidação. É o padrão da maioria dos carros novos.
Misturar tipos diferentes é proibido, pois pode haver reação química que solidifica o óleo.
Agora, o mais importante: a viscosidade (ex.: 5W30, 10W40). Usar um óleo mais grosso do que o recomendado fará com que ele não chegue a tempo às partes altas do motor na partida a frio, causando desgaste severo.
Consulte sempre o manual ou nossos especialistas na Casa Grande Auto Shopping para saber a especificação correta.
O filtro de óleo: o parceiro inseparável
Trocar o óleo e não trocar o filtro é, como diz o ditado, “tomar banho e vestir roupa suja”.
O filtro retém as impurezas e limalhas de metal que o óleo limpou do motor. Ele armazena cerca de 500 ml de óleo sujo e contaminado.
Se você coloca óleo novo sem trocar o filtro, o fluido limpo se mistura imediatamente com o meio litro de óleo podre que ficou no filtro velho.
Isso contamina o óleo novo instantaneamente, reduzindo sua vida útil. A economia de não trocar o filtro é irrisória perto do risco.
A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) recomenda a troca do filtro em todas as trocas de óleo, sem exceção.
Aditivos extras: milagre ou veneno?
Nas prateleiras de postos e lojas, vemos dezenas de frascos de “aditivos para motor” que prometem milagres: mais potência, menos consumo, proteção extra.
A verdade técnica é: o óleo de boa qualidade já vem aditivado de fábrica. As grandes petrolíferas gastam milhões desenvolvendo o pacote químico perfeito de detergentes, dispersantes e antioxidantes dentro do óleo.
Adicionar um aditivo extra de terceira parte pode desbalancear essa química. O excesso de aditivo pode causar corrosão ou formação de cinzas.
A única exceção são aditivos de limpeza (flush) usados por profissionais em situações específicas de descontaminação.
A montadora Volkswagen, por exemplo, alerta em seus manuais que o uso de aditivos suplementares pode anular a garantia do motor.
O melhor aditivo é a troca regular, no prazo certo, com o óleo e filtro corretos. Não jogue dinheiro fora e não arrisque seu motor.
Na Casa Grande Auto Shopping, seguimos rigorosamente as tabelas das montadoras.
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