Nem toda viagem de férias é de carro. Quem vai de avião para o Nordeste ou para fora do país deixa o carro na garagem por duas, três, às vezes seis semanas.
E é na volta que aparecem as surpresas: bateria arriada, pneu deformado, cheiro de mofo. Quase tudo isso se evita com alguns cuidados antes de fechar a mala, e eles mudam conforme o tempo que o carro vai ficar parado.
Por que o carro parado por muito tempo sofre
Parece estranho, mas o carro parado por muito tempo se desgasta: a borracha resseca, o fluido se acomoda e a bateria segue perdendo carga mesmo com tudo desligado. Alarme, central eletrônica e memória do rádio consomem energia o tempo todo. O carro mais novo, cheio de eletrônica, gasta ainda mais.
Os pneus também sofrem porque o peso fica sempre no mesmo ponto. Depois de semanas, a borracha pode ganhar uma leve deformação que vira vibração nos primeiros quilômetros.
Em Florianópolis, ainda tem a maresia. Umidade e sal no ar, registrados pelas estações do Instituto Nacional de Meteorologia o ano inteiro, aceleram a corrosão e favorecem o mofo na cabine. O combustível também envelhece: a gasolina brasileira leva etanol, conforme as regras da ANP, e o etanol puxa a umidade do ar.
Se o carro ficar parado só por alguns dias nas férias não traz grandes problemas. A atenção precisa aumentar em períodos mais longos, por isso separamos as orientações por período.
Até 15 dias parado
Em viagens curtas, o carro parado nas férias pede pouco. O principal é sair com a bateria do carro em boas condições. Se ela já vinha dando partida lenta, o teste antes de viajar é obrigatório. Bateria no limite pode não aguentar nem duas semanas.
Luz interna acesa e porta-malas mal fechado estão na lista de conferência. Parece bobagem, mas é uma das causas mais comuns de bateria descarregada.
Tanque cheio deixa menos ar lá dentro, e menos ar significa menos condensação no combustível.
Calibrar os pneus um pouco acima do normal, dentro do limite do fabricante, reduz o risco de deformação. Na volta, é só ajustar para a pressão de uso.
Se o carro ficar na rua, a vaga precisa estar livre de restrição de horário ou dia de feira, porque voltar de viagem e descobrir que o carro foi guinchado é o tipo de surpresa que ninguém quer.
De 15 a 30 dias: a bateria do carro vira prioridade
Nessa faixa de tempo, a bateria do carro é o que mais preocupa. Dependendo do modelo e da idade dela, um mês parado já impede a partida. Uma saída simples é pedir para alguém de confiança ligar o carro uma vez por semana e deixar funcionando uns 15 minutos. Se der para rodar alguns quilômetros, melhor, porque em marcha lenta o alternador carrega pouco.
Outra opção é desconectar o polo negativo. Isso corta o consumo, mas pode apagar rádio e relógio e, em alguns carros, exigir reprogramação de módulos. Para carros mais modernos, o carregador de manutenção é mais seguro: fica na tomada e mantém a carga sem sobrecarregar.
Nesse prazo também compensa lavar o carro antes de guardar. Folha, sujeira e fezes de passarinho ficam semanas agindo sobre a pintura.
Freio de mão puxado por muito tempo pode colar a pastilha no disco, ainda mais com umidade. Em garagem plana, muita gente deixa o carro engatado, ou em P no automático, com o freio de mão solto.
Mais de um mês: o carro parado por muito tempo pede preparo
Intercâmbio, temporada fora do país, viagens longas. Nesses casos, o carro parado por muito tempo pede uma revisão antes e outra depois.
Se a troca de óleo está perto, o melhor é adiantar. Óleo usado tem resíduos ácidos que ficam semanas em contato com o motor.
O carregador de manutenção passa a ser quase indispensável. Desconectar o polo negativo também funciona em muitos casos.
Capa de tecido que respira protege de poeira e sol sem prender umidade. Capa plástica em garagem úmida piora o mofo e pode manchar a pintura.
Um saco de sílica ou um pote de sal grosso dentro da cabine segura a umidade. É um truque barato e funciona bem para quem mora perto do mar.
Reler as condições gerais do seguro, registradas na Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostra se há regras para carros guardados em outro endereço. Uma ligação para a corretora costuma resolver a dúvida em minutos.
Na volta, antes de rodar
Antes da partida, uma volta em torno do carro já diz muito. Pneu murcho ou mancha de óleo no chão pedem avaliação antes de sair.
Se o carro não pegar de primeira, insistir muitas vezes seguidas só piora. Tentativa longa força o motor de partida e acaba com o que resta da bateria.
Nos primeiros quilômetros, andar devagar ajuda a sentir se há vibração de pneu deformado. Em geral ela some depois de alguns minutos rodando.
O freio pode chiar nas primeiras frenagens por causa da oxidação superficial dos discos. Se o ruído continuar depois de alguns quilômetros, é hora de levar na oficina.
Também é hora de ver se o licenciamento não venceu durante a viagem, consulta que pode ser feita no site do Detran-SC. Rodar com documento vencido é infração gravíssima e pode levar à remoção do carro.
Ligar o ar na ventilação máxima por alguns minutos, com as janelas abertas, renova o ar parado. Se o cheiro de mofo continuar, o sistema precisa de higienização.
Revisão antes e depois das férias na Casa Grande
Deixar o carro parado nas férias fica bem mais tranquilo quando ele sai daqui revisado. Testamos a bateria do carro, conferimos os pneus e fluidos e dizemos o que precisa ser feito antes da viagem.
Se a troca estiver perto, a troca de óleo sai na mesma visita. Na volta, a mecânica geral resolve o que tiver aparecido com o tempo parado.
Pneu deformado ou ressecado passa por avaliação na troca de pneus, com medição de sulco e data de fabricação. Donos de carros híbridos encontram os cuidados com a bateria de tração no texto sobre baterias de carros híbridos.
Ficamos no Estreito e atendemos de segunda a sexta-feira, das 7h45 às 18h e, no sábado, pela manhã. O WhatsApp é a forma mais rápida de marcar horário antes do embarque. Boas férias! Quando voltar, a gente coloca o carro na rua de novo.